












A jornalista Mônica Falcone resumiu a ópera: “É um milagre!” Ela se referia à beleza da montagem da Cavalleria Rusticana pela companhia Cant’Art de Campo Grande, apresentada no simbólico edifício da antiga usina já na zona rural de Ivinhema. A noite foi tão rara que ecoou a afirmação do músico Jean Stringueta no curso de Filosofia de Marília Fiorillo: “Parece Mentira!” . Essa sensação de surrealismo perpassou todo o II Festival de Verão da Fundação Nelito Câmara, mas ficou mais evidente com a apresentação da mais completa e complexa das artes cênicas, a de mais difícil compreensão e de mais forte emoção. A ópera é avassaladora. Nas palavras de Edneide Dias de Oliveira, realizadora desta grande loucura: “Com a ópera, ou se ama ou se odeia, ninguém sai indiferente.” Este clima de exagero era o adequado para encerrar um festival de 40 dias e mais de cinqüenta eventos. Cinco solistas, entre eles as grandes vozes da soprano Angélica Jado e do renomado tenor catarinense, Luis Fernando Vieira, além do coral da Cant’Art encenaram a obra de Pietro Mascagni. Terminada a função e em meio ao desmanche do circo, ópera e do festival, o também grande pianista, Luis Fernando Vieira, encheu de música o querido prédio da antiga usina e a milagrosa noite de 17 de janeiro de 2009.
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